Doenças renais em pets cadeirantes


As doenças renais estão entre as mais comuns em pets acima dos 7 anos de idade, porém, elas ainda são recorrentes também nos animais mais novos e principalmente, nos animais cadeirantes. As causas para essa insuficiência são inúmeras, mas as mais recorrentes estão ligadas a infecções virais, presença de fungos e bactérias. Mas porque elas são frequentes nos Cãodeirantes?


A Insuficiência Renal é uma doença grave, que pode ser classificada por dois tipos:


Insuficiência Renal Aguda: indicativo da função renal que pode ocorrer em períodos de horas e até dias, podendo ser reversível se tratada corretamente.


Doença Renal Crônica: constitui na perda dos Néfrons caracterizando assim lesões renais irreversíveis, fazendo com que os pacientes tenham progressão da doença com o passar do tempo.


No caso dos cães paraplégicos, é necessário lembrar que a grande maioria não possui o movimento espontâneo de fazer xixi, o que gera uma retenção bacteriana e pressão na bexiga. Quando a técnica de esvaziamento de bexiga não é feita corretamente ou frequentemente, essas bactérias se acumulam e se reproduzem, atingindo grande quantidade e aumentando as chances de acometer os rins. Além disso, o não esvaziamento da bexiga ou um esvaziamento insuficiente fazem com que a bexiga fique distendida boa parte do tempo e a pressão na bexiga sobe para os rins. É como se fosse um funil com muito líquido e apenas duas pequenas saídas: a saída para a uretra e eliminação do xixi (tendo os “escapes” durante o dia) e a saída para os rins (que acaba provocando dilatação do ureter até os rins e aumento da pelve renal). A pressão causada na bexiga pelo não esvaziamento faz com que essa pressão acometa os rins e prejudique sua função.


Com o tempo, o agravamento dessa insuficiência renal pode passar de Aguda para Crônica, chegando a comprometer até mesmo o funcionamento de outros órgãos, resultando no aparecimento da síndrome urêmica (acúmulo de Creatinina e Uréia no corpo). O exame que recomendamos para diagnóstico da função dos rins em fase precoce é o SDMA, um biomarcador sanguíneo do estado dos rins que já acusa o problema renal em fase inicial. O que não descarta a relevância dos tradicionais exames de uréia e creatinina. Porém, os exames de uréia e creatinina detectam alterações renais quando aproximadamente 75% da função renal já está comprometida. O SDMA é um indicador muito mais sensível da função renal do que os exames convencionais. Além dele, pode ser relevante para o diagnóstico e tratamento exames como hemograma, urinálise e ultrassonografia abdominal.


Caso do Marrom: descobrimos a doença renal após exame de SDMA. Marrom passou 3 anos no abrigo depois de ter sido atropelado, sem que fosse feito esvaziamento da bexiga. Poucos abrigos sabem sobre a importância do esvaziamento, já que existe uma escassez muito grande de informações neste sentido, inclusive partindo de veterinários. Apenas depois de alguns meses com o Marrom fomos de fato orientados sobre a demanda do esvaziamento da bexiga para a prevenção de diversos quadros. Porém, os 3 anos que ele passou no abrigo não perdoaram os rins dele. Foram anos de bexiga distendida, infecções urinárias de repetição e pressão subindo para os rins. Com a realização do esvaziamento da bexiga 4 vezes ao dia e ozônioterapia 1 vez na semana, a doença renal do Marrom não progrediu nos últimos anos e se mantém em fase I da doença.


Para o animal paraplégico que possui retenção de urina, a melhor maneira de prevenção é realizar a chamada Massagem Vesical, ou seja, apertar a Bexiga através do abdômen para que então o animal consiga eliminar toda a urina e reduzir a pressão na bexiga. Aqui na página, temos um vídeo de esvaziamento de bexiga que pode ajudar nessa ação.


Importante: Este texto é produzido com base em pesquisas e na nossa experiência com cadeirantes. O tratamento da doença renal será realizado de acordo com o quadro do paciente, e será protocolado pelo Médico Veterinária responsável.

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